O Ericsson 4 reafirmou seu favoritismo ao também vencer, no final de semana, a segunda perna da regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race. Sob o comando de Torben Grael a equipe sueca ampliou sua vantagem na liderança ao chegar em primeiro a Cochin, na Índia, e ao assistir seu principais adversários ficarem para trás. Méritos de uma equipe que trabalha junto a vários meses com um único objetivo: vencer. Para isso Torben conta com o auxílio, entre outros, dos também brasileiros Horácio Carabelli e João Signorini. Este último relatou os principais momentos da inédita etapa da regata.
Chegamos em Cochin, na Índia, perto das 6h, no horário local. Foi um alivio, pois demoramos perto de cinco horas pra fazer as últimas 14 milhas! A perna foi bem dura e tivemos um pouco de tudo. Largamos com vento forte e tínhamos que fazer um triângulo antes de rumarmos em direção ao Cabo da Boa Esperança. Tivemos uma boa largada, mas um pequeno problema ao desenrolar o nosso código fracionado (FRO), fez com que perdêssemos algum tempo e logo estávamos em quarto. Na primeira perna conseguimos passar o Green Dragon, o Telefônica Blue e montamos a bóia 1 em segundo, atrás do Puma. Seguramos esta posição no contravento e montamos a segunda bóia perto dele. Pouco depois o vento acabou, o que já era esperado, já que a Table Mountain (famosa montanha em Cape Town), faz uma sombra enorme, e todos os barcos estavam lado a lado. Colocamos o nosso código Zero de Top e velejando mais perto da costa passamos para primeiro. Cruzando o cabo, mantivemos a primeira posição e velejando de contravento com 15 a 20 nós de vento rumamos para o Sul, em direção à uma frente que se aproximava.
Na manhã seguinte já velejamos de popa com o Puma bem perto, sob uns 12 a 15 nós. A partir daí o vento só foi aumentando e cada vez mais íamos ao sul (40 graus Sul) em busca de melhores condições para o Gate de pontuação que era a longitude de 58 graus Leste. Foi cada vez ficando mais frio e o vento ficou na casa dos 27-33 nós por um bom tempo, com ondas enormes. Duas noites a temperatura no convés era de seis graus. A quantidade de squalls também era muito grande e por duas vezes tivemos rajadas de 50 nós! Demos duas atravessadas bem grandes com o nosso A6 (balão fracionado) e chegamos a rasgar a testa do nosso FRO em uma imbicada. Esse foi nosso único problema com as velas. Perto do Gate estávamos em uma disputa com o Ericsson 3 e tomamos a decisão de continuar rumando para o Leste até ter certeza que tínhamos a primeira posição no gate, mesmo sabendo que podíamos perder um pouco de terreno em relação à marca (Cochi) que fica a latitude 10 graus Norte.
Depois que os barcos começaram a rumar norte e o vento a diminuir a flotilha voltou a ficar bem junta e praticamente a regata tinha largado de novo. Nossa posição, mais a leste, podia nos dar uma vantagem durante os trade winds antes dos doldrums, já que tínhamos algum barlavento em relação à flotilha e estávamos velejando de través com 16 a 22 nós. Acabou que conseguimos soltar o barco na hora certa e passar para primeiro de novo na perna. Nos doldrums estávamos bem perto do Ericsson 3 e velejando muito bem com as nuvens. Com um pouco de sorte acabamos construindo nossa grande vantagem. Foi impressionante, pois em um dia tínhamos o Ericsson 3 a três milhas na popa e depois de passarmos muito bem por três enormes nuvens ampliamos a vantagem para quase 50 milhas!
A partir daí foi mais ir segurando a vantagem, pois sabíamos que perto da costa da Índia seria uma velejada bem difícil. No fim o resultado foi ótimo e ainda contamos com um mix entre os outros barcos que nos deu uma boa vantagem em pontos frente ao segundo colocado. A próxima perna deve ser bem complicada, com pouco vento e como não será uma perna grande (previsão de 7 a 10 dias) os barcos devem ficar bem juntos. Ainda teremos o risco de pirataria….
Valeu pela torcida de todos!
Joca
Fonte: www.boia1.com.br
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