Por Priscilla Basílio e Thiago Izoton - velejadores da Rajada.
A presença de um veleiro sempre nos traz a idéia de perseverança e coragem, ao mesmo tempo em que nos convida a imaginar sobre suas fantásticas aventuras pelos mares que cruzaram, pelas tormentas, pelas terras e povos distantes que muitos de nós conhecemos apenas por livros ou histórias.
O que dizer então quando o orgulho da Marinha do Brasil, o Navio Veleiro "Cisne Branco", desponta no horizonte capixaba e se abre para visitação em nosso porto de Vitória?
O Navio inspirado no modelo dos últimos Clippers do século XIX, com seus 76 metros de comprimento e portando (pasmem!) 32 velas, distribuídas em três mastros com mais de 40 metros cada, foi entregue à Marinha do Brasil em 04 de fevereiro de 2000, como um presente pelos 500 anos de colonização. O Cisne Branco foi construído em 1998, em Amsterdã, Holanda, pelo Estaleiro Damen e tem como objetivo representar a Marinha do Brasil em eventos e regatas náuticas, promover a cultura náutica na sociedade e auxiliar na formação dos marinheiros.
Chegamos ao Porto de Vitória no meio da tarde, onde tiramos fotos antes de embarcar no Cisne. Acostumados com veleiros menores, foi emocionante ver a proporção do barco, gigantesco para nossos padrões e muito bonito. A quantidade de cabos, mastros, retrancas e amarras realmente impressionam, bem como suas dimensões e disposição. Para cada vela existem pelo menos quatro ajustes, e pelo menos o dobro em cabos para sua operação.
Hasteada na popa, a bandeira do Brasil que saboreava o vento suave da tarde nos rendeu lindas fotos, além daquela pontinha de orgulho de ser brasileiro.
Como representante de nosso país, essa bela nau traz consigo o melhor de dois mundos: a tradição de séculos de navegação à vela, aliada ao que há de mais moderno em termos de comunicação e navegação. Não é a toa que essa maravilha atraia tantos visitantes e de todas as idades, desde o mais leigo curioso até o mais experiente navegador.
Pelo lado de fora, no deck superior, víamos o passadiço e suas estações de controle, navegação e comunicação, mas descobrimos que a visitação seria apenas externa para evitar transtornos para a tripulação. Uma pena, mas como velejadores entusiasmados, mais que do que fotos procurávamos histórias, e perguntávamos o que podíamos para os tripulantes a cada oportunidade, e com total atenção e dedicação fomos muito bem recebidos.
Numa dessas oportunidades conhecemos o Sargento Jaecy, tripulante do Cisne Branco há dois anos e com quinze anos de experiência na Marinha do Brasil. Com seu bom humor, nos contou histórias curiosas sobre as viagens e lugares que passaram e da alegria dos brasileiros quando os recebem em outros países.
Quando descobriu que éramos velejadores, nos fez o convite de conhecer rapidamente o restante do navio e decks inferiores, desde que esperássemos o fim do horário de visitação. Não precisou dizer duas vezes.
O navio é muito bem equipado, possui, por exemplo, um sistema de ar-condicionado central, bow thrusters para manobras em porto, sistema contra incêndio e sprinklers que percorre todo o barco, e um moderno e poderoso sistema de dessalinização, que esperamos seja desnecessário num futuro cujas bacias hidrográficas sejam manejadas de modo sustentável.
Por toda extensão do Cisne Branco podemos perceber o zelo e cuidado que a tripulação tem pela estrutura e sua organização. Reflexo disso são as homenagens em quadros e placas de diversas marinhas reconhecendo o trabalho e a determinação desses homens.
Dentre todas as cabines e compartimentos, visitamos desde camarotes, lavanderia, refeitórios, enfermaria, cozinha, copa, até inclusive a casa de máquinas, impecavelmente limpa e aparelhada, mas como de praxe possui um cheiro universal de diesel, óleo e água salgada.
Nosso “tour” terminou no passadiço, onde o Sargento Jaecy nos mostrou seu posto na área da comunicação, explicando o funcionamento básico dos aparelhos eletrônicos, bem como os instrumentos de navegação e controle do Cisne Branco. Um show de tecnologia à serviço da tripulação.
No final da visita, ao saírmos no convés principal, presenciamos um maravilhoso entardecer e tivemos a oportunidade de registrar a cerimônia de recolhimento da bandeira, realizada todos os dias a cada pôr do sol. Nesse momento parte da tripulação se reúne em profundo silêncio e ao sinal do apito é baixado o pavilhão nacional.
Foi um dia inesquecível que conhecemos o Cisne Branco, seu funcionamento e um pouco de sua historia. Agradeçemos, portanto, à Marinha do Brasil, ao Sargento Jaecy e à tripulação pela receptividade e pelo orgulho de participarmos dessa oportunidade única.
Vitória, 10 de janeiro de 2009
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